Quem somos quando o mundo nos observa?
Por Lívia Barros
Em meio a uma sociedade que redefine valores todos os dias, a pergunta que ecoa para os cristãos continua a mesma: ainda estamos vivendo como discípulos de Cristo? Como estamos expressando a nossa essência?


O Verbo não está ligado a um lugar, mas a um estilo de vida. O discipulado acontece nas ruas, nas casas, no trabalho, na escola e em cada ambiente onde um cristão pisa. O seu testemunho gera vida na vida das pessoas ao seu redor.
Na prática, isso significa que a fé não pode ficar limitada ao prédio da igreja. O Evangelho precisa ser visível onde a vida real acontece. A Family Church é uma igreja para fora, que tem como propósito amar, servir e restaurar.
Igrejas que vivem essa essência entendem que a obra não se resume ao altar. Evangelismo, ações sociais, discipulado, cuidado com famílias, jovens e crianças são expressões de uma igreja que decidiu viver Atos 2:47, quando a Bíblia diz que o Senhor acrescentava diariamente os que iam sendo salvos.
Mas viver assim tem um preço.
Uma geração pressionada a se calar
Nunca foi tão fácil se declarar cristão, e ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil viver como um. A cultura atual normaliza comportamentos que a Bíblia chama de pecado, relativiza verdades que a Palavra chama de eternas e pressiona os cristãos a permanecerem neutros a fim de que não se tenham transtornos, constrangimentos e por vezes, rejeição. O medo de ser cancelado ecoa a vida de muitos crentes, mal se lembram que a mesma multidão que gritou “Hosana nas Alturas” e a mesma que também gritou “Crucifiquem-o”.
Porém, Jesus nunca chamou discípulos para ficarem em cima do muro. Em Apocalipse 3:15-16 está escrito: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente… quem dera fosses frio ou quente. Assim, porque és morno, estou a ponto de vomitar-te da minha boca.”
Ser discípulo hoje exige posicionamento e posicionamento sempre gera confronto. Não se trata de intolerância, mas de fidelidade. Não é sobre atacar pessoas, visto que o crente segue a doutrina de amar as pessoas e odiar o pecado. Contudo, é sobre não negociar princípios. Seja no trabalho, na escola, dentro da própria igreja e, principalmente, em casa com os seus.
Romanos 12:2 orienta: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente…” O discípulo de Cristo deve viver guiado pela Palavra e não pela opinião do mundo.
O Evangelho que sai das paredes
Uma das marcas mais fortes da igreja primitiva era que a fé não ficava restrita aos encontros. A igreja se encontrava nas ruas, casas, nas amizades e cuidado com as pessoas.
Hoje, esse mesmo chamado continua. A obra não é presa nos quatro prédios no templo, não é um bater o ponto em dias de culto de celebrações. É estar presente, se importar, ligar para a pessoa e perguntar se está tudo bem, sentar para tomar um café, fazer uma visita, se fazer presente.
Onde há discípulos de verdade, há evangelismo, o servir se torna presente, há compaixão, santidade, coragem, há conexões. Pessoas muitas vezes se convertem a pessoas, depois ao evangelho. Elas vão até um culto porque alguém que gosta o chamou, se sentem importantes em um banquete de café da manhã oferecido pela igreja, se sentem alegres ao serem recepcionadas com um sorriso de boas-vindas. Especiais por saberem que existem pessoas que se importam com pessoas e não com números. Afinal, uma vida que seja importa para Cristo.
Elas experimentam do amor de Deus nas pequenas coisas do dia a dia. E essa responsabilidade está no testemunho que cada um dos filhos de Deus tem deixado nesta terra.
A igreja viva não é a que tem apenas cultos cheios, mas a que tem vidas cheias do Espírito.
Em Marcos 16:15, Jesus disse: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” Isso inclui os lugares onde ninguém está olhando, decisões que ninguém aplaude e renúncias que ninguém entende.
Que Cristo as pessoas estão vendo em nós?
Talvez a pergunta mais necessária para os dias atuais não seja quantas vezes vamos à igreja, mas que tipo de Cristo as pessoas enxergam em nós: o Cristo que se adapta a qualquer situação ou o Cristo que transforma quem decide segui-lo?
O discípulo posicionado, decidido, muda o ambiente ao seu redor. Não é alguém sem falhas, mas alguém que não negocia a fé. Não é alguém isolado do mundo, mas alguém que vive no mundo sem perder a identidade, a sua essência. Afinal, sabe quem ele é em Cristo.
Jesus disse em Mateus 5:13-14: “Vós sois o sal da terra… vós sois a luz do mundo.”
Sal que não salga perde a função. Luz que se esconde perde o propósito.
Ser discípulo nos dias atuais é viver de forma que, por onde passarmos, fique claro a quem pertencemos. A obra de Deus não acontece apenas dentro da igreja.
Ela acontece onde há discípulos dispostos a viver o Evangelho todos os dias.

