Tudo procede de Deus. É ele quem nos escolhe, chama, justifica, glorifica e festeja a nossa volta aos seus braços.
Por Mac Anderson
A parábola do filho pródigo, narrada por Jesus em Lucas 15, revela uma das mais profundas verdades sobre o coração de Deus: o seu amor incondicional pelos que se afastam. Mais do que a história de um filho que erra, essa mensagem destaca a graça de um Pai que permanece, espera e celebra o reencontro. A seguir, o texto desenvolve essa reflexão à luz das Escrituras.


“Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés, e trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos e alegremo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se.” Lucas 15:22 a 24
Em Lucas 15, Jesus contou três parábolas imortais. Todas elas têm a mesma ênfase: a restauração dos que haviam se perdido. Há algumas progressões nessas parábolas: de cem ovelhas, uma se desviou; de dez moedas, uma foi perdida; de dois filhos, um abandonou a casa paterna. A ovelha se desviou por descuido; a moeda foi perdida por negligência; o filho foi embora de casa por ingratidão. Nos três casos, há um processo de busca ou espera.
As parábolas terminam com o mesmo enfoque: a alegria do reencontro com os que se haviam perdido. As três parábolas, embora com nuances diferentes, têm a mesma lição central: Deus ama os pecadores, mesmo aqueles que são rejeitados pela sociedade ou pela religião. Deus se alegra na salvação deles e festeja a sua volta ao lar. Quero me deter, hoje, na última parábola.
Embora essa seja mundialmente conhecida como a parábola do filho pródigo, sua lição central recai não na fuga do filho rebelde, nem mesmo no seu arrependimento e volta ao lar, mas no amor gracioso do pai.
A despeito do pródigo não valorizar o conforto do lar nem a companhia do pai e do irmão; a despeito do pródigo pedir sua herança antecipada e, assim, considerar o seu pai morto; a despeito do pródigo romper os laços com sua família de forma tão radical e sair para uma terra distante para viver na dissolução, esbanjando os seus bens com os prazeres do pecado; a despeito do pródigo, com profunda ingratidão, ter calcado debaixo dos seus pés o amor do pai e todos os valores morais aprendidos com ele; a despeito do pródigo ter esbanjado toda a herança com vida desregrada e colher os frutos amargos de sua maldita semeadura; a despeito do pródigo voltar para casa maltrapilho e sujo, arruinado e falido, o pai corre ao seu encontro, o abraça, o beija, o restaura e celebra a sua volta. Esse amor restaurador do pai tem algumas características:
Em primeiro lugar, É O AMOR QUE ESPERA A VOLTA DO PRÓDIGO. Não é o homem perdido que busca a reconciliação com Deus; é Deus quem o procura, quem muda seu coração e quem o recebe de volta. Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo. Tudo procede de Deus. É ele quem nos escolhe, chama, justifica, glorifica e festeja a nossa volta aos seus braços.
Em segundo lugar, É O AMOR QUE PERDOA E RESTAURA O PRÓDIGO. O filho pródigo não foi recebido de volta como um escravo, mas como filho. O pai corre ao seu encontro, o abraça e o beija. O pai manda-lhe colocar vestes novas, sandálias nos pés e anel no dedo. O perdão é real, e a restauração é completa. Para sermos reconciliados com Deus, três atitudes divinas foram tomadas: Deus não imputou a nós as nossas transgressões (2Co 5.19). Deus colocou as nossas transgressões sobre Jesus (2Co 5.21a). Deus imputou a justiça de Cristo a nós (2Co 5.21). Estamos não apenas de volta ao lar, mas também perdoados e justificados.
Em terceiro lugar, É O AMOR QUE CELEBRA A VOLTA DO PRÓDIGO AO LAR. Deus não só perdoa e restaura, ele também festeja a volta do filho pródigo ao lar. Há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende. Houve festa, música e alegria na casa do Pai, porque o filho que estava perdido foi encontrado, o filho que estava morto reviveu. Deus se alegra quando os pródigos voltam para casa. Deus celebra com entusiasmo quando os pecadores se arrependem. Os anjos de Deus comemoram a chegada dos pródigos ao lar paterno. Deus tem prazer na misericórdia. Ele se deleita na salvação dos perdidos. Oh, amor bendito! Oh, graça infinita! Oh, salvação gloriosa!
CONCLUSÃO
Nas três parábolas: da ovelha perdida, da dracma perdida e do filho perdido, encontramos o mesmo desfecho: a celebração festiva pelo encontro do que estava perdido. O pastor chamou seus vizinhos e amigos para festejar com ele (Lc 15.6). A mulher igualmente chamou suas vizinhas e amigas para celebrar com ela (Lc 15.9), e o pai mandou preparar um banquete, dizendo: “… comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto, e reviveu; estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se” (Lc 15.23,24). Há mais alegria por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove que pensam que não precisam de arrependimento (Lc 15.7). Há júbilo diante dos anjos de Deus por um só pecador que se arrepende (Lc 15.10). Há festa na casa do pai, quando o pródigo volta ao lar (Lc 15.23,24). Deus festeja e celebra a nossa volta para ele. Que grande amor! Que imenso amor! Que sublime amor, o amor de Deus!

